Como contribuir com o EFEITO ESTUFA?


UM PANORAMA GERAL SOBRE AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E O AQUECIMENTO GLOBAL

O século XX foi marcado por uma série de avanços científicos e tecnológicos que levaram o homem a decifrar mistérios e fazer grandes descobertas. No entanto, muitos desafios ainda precisam ser superados neste novo milênio e entre eles está um dos mais antigos e conhecidos pelo homem: o clima.

Apesar dos inúmeros estudos e pesquisas realizados, o homem nunca conseguiu dominar e prever o clima com a precisão que pretendia. Nas últimas décadas as próprias ações humanas têm tornado esse objetivo cada vez mais distante: as altas concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera desestabilizam progressivamente a temperatura do planeta através do efeito estufa (veja mais adiante) e o mundo enfrenta a séria problemática do aquecimento global.

Metas para diminuir as emissões de CO2

Felizmente a sociedade e os governos de todo o mundo vêm percebendo a gravidade do problema em torno das mudanças climáticas e muitas ações e acordos vem sendo firmados nos últimos anos com o objetivo principal de buscar soluções e atitudes para minimizar o problema. Em 1987 foi estabelecido o primeiro acordo internacional sobre o assunto: o Protocolo de Montreal. Com esse protocolo dava-se início às orientações sobre controle de emissão de gases de efeito estufa.
Em 1992, 150 países que participaram da Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, assinaram a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, ou simplesmente Convenção do Clima. A convenção reconhece a mudança do clima como "uma preocupação comum da humanidade" e propõe uma estratégia global "para proteger o sistema climático para gerações presentes e futuras". Um de seus objetivos é o desenvolvimento de políticas e programas que visem a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera.
Como desdobramento da convenção e com um caráter mais prático, em 1997, 159 países, entre eles o Brasil, assinaram o Protocolo de Quioto, pelo qual se comprometeram a diminuir as emissões de CO2 e outros gases causadores do efeito estufa. A importância do pacto assinado na cidade japonesa é reconhecida pela meta ambiciosa que estabeleceu: 38 países industrializados devem reduzir, até 2012, as emissões de gases de efeito estufa em 5,7%, considerando os índices de 1990.
No entanto, essa meta só entrará em vigor com a ratificação do protocolo por parte de um mínimo de países que juntos sejam responsáveis por 55% das emissões de CO2 na atmosfera. Essa condição deflagrou uma das maiores crises diplomáticas internacionais já assistidas no cenário ambiental: em março desse ano, o recém eleito presidente norte-americano, George W. Bush, declarou que os Estados Unidos não teriam interesse em ratificar o protocolo.

O argumento principal do Governo norte-americano é que a diminuição das emissões custaria muito caro ao país e comprometeria o seu crescimento econômico. A consequência dessa decisão para o resto do mundo é o risco das metas do protocolo não serem cumpridas e a problemática do aquecimento global tomar, a cada ano que passa, um caráter mais catastrófico. Afinal de contas, os Estados Unidos é hoje o país responsável pela maior emissão de CO2 do planeta: do total de CO2 lançado para atmosfera por todos os países do mundo, 24% tem origem norte-americana (veja gráfico na página ao lado).

Problemas sociais, econômicos e ambientais


A decisão dos Estados Unidos vem de encontro às preocupações da comunidade cientiífica e de ambientalistas de todo o mundo sobre as graves consequências geradas pelo desequilíbrio climático. Prevê-se que as atividades humanas causadoras do efeito estufa, da diminuição da camada de ozônio e de outros desequilíbrios vão gerar graves problemas socias, econômicos e ambientais para as próximas gerações.
Entre as previsões está o aquecimento médio global de 1,5 a 6 graus celsius nos próximos 100 anos __ os países que assistirão os graus mais altos são a China, a Índia e países pobres da Ásia e da África. Este aquecimento crescente vai gerar uma elevação no nível dos mares, o que colocará em risco a vida de 90 milhões de pessoas que habitam áreas litorâneas. A única saída será o deslocamento desses habitantes para outras áreas. Além disso, o aumento do nível do mar também pode causar perdas de áreas agricultáveis e a salinização de fontes de água doce, resultando em problemas sócio-ambientais bastante significativos.
Outras graves consequências da desestabilização climática são o derretimento das geleiras, o acontecimento frequente de tempestades violentas, ondas de calor, enchentes e secas nas áreas áridas e semi-áridas da África, Oriente Médio e Europa meridional, a disseminação de doenças como a malária e a cólera, principalmente em países tropicais, a quebra de safras e alterações dos ciclos da produção agrícola na África e América Latina, entre outros problemas.

De uma forma geral, as mudanças climáticas têm como causa principal a exploração e uso de energia tendo os combustíveis fósseis como matéria prima (queima de carvão, petróleo e gás). Hoje é calculado que, por ano, as atividades humanas produzem cerca de 6 bilhões de toneladas métricas de carbono, sob a forma de dióxido de carbono (CO2) e outros cinco gases: metano (CH4), óxido nitroso (NO2), os hidrofluorcarbonos (HFCs), os perfluorcarbonos (PFCs) e o hexafluoreto de enxofre (SF6). O resultado: o agravamento do efeito estufa e o consequente e crescente aquecimento global.

O antigo sonho do homem dominar o clima parece estar longe de virar realidade devido às suas próprias ações. O aquecimento global e todos os problemas que o acompanham podem ser considerados um sinal de que o atual modelo de desenvolvimento é insustentável e autodestrutivo. No entanto, esse modelo "sujo" é a base de interesses econômicos poderosos e sua reversão implicaria, além da busca por atitudes ambientalmente mais respeitáveis, em mudanças de valores e de padrões de mercado e de consumo. Ou seja: para o homem do século XXI, o clima ainda consiste em um grande desafio.


As estratégias para combater as mudanças climáticas

O recusa dos Estados Unidos em ratificar o Protocolo de Quioto fez o mundo todo despertar e refletir com mais seriedade sobre as estratégias de combate às mudanças climáticas e ao aquecimento global que vem sendo planejadas e adotadas isoladas ou globalmente. A grande e talvez única vantagem de todo esse episódio protagonizado por Bush é que o assunto acabou ganhando uma maior abrangência, passando a ser discutido com mais consistência por toda a sociedade.

Na verdade, as discussões sobre o tema já vinham acontecendo mais frequentemente por conta da grande ocorrência de incidentes climáticos de vulto em vários países, como o El Niño, a La Niña e enchentes em diversas partes do mundo nos últimos anos. E como consequência, os planos e diversas alternativas para controle do aquecimento global adotadas internacionalmente passaram a ser mais divulgadas e analisadas pela sociedade.


O Organização das Nações Unidas - ONU - deve colocar em conhecimento público nos próximos meses um novo plano para que países industrializados usem florestas e fazendas para absorver dióxido de carbono, de forma a dar continuidade às conversações sobre a redução da emissão de gases poluentes. O novo plano destaca como os países devem cumprir suas metas para reduzir a emissão de gases nocivos, transformando suas florestas em "tanques" para absorver esses poluentes.

Enquanto isso, o Governo norte-americano sugere a preparação de um Protocolo de Quioto alternativo, cuja principal singularidade seria a inclusão de países em desenvolvimento na lista das nações responsáveis pela diminuição da emissão de CO2 seguindo metas estabelecidas. Esta proposta deve ser apresentada ao mundo todo em julho, durante uma conferência internacional sobre aquecimento global que será realizada em Bonn, na Alemanha.

Paralelamente, líderes da União Européia afirmam veementemente que continuam comprometidos com as metas do Protocolo de Quito, porém se mostram abertos a rever e negociar algumas questões definidas pelo documento. Ou seja, concordam com uma análise crítica do protocolo, mas reiteram que a União Européia vai ratificá-lo e cumpri-lo com ou sem a participação dos Estados Unidos.

A importância e a posição do Brasil frente ao aquecimento global

No Brasil, as discussões oficiais sobre mudanças climáticas e as decisões sobre posição do país frente aos tratados internacionais ficam concentradas no Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. O objetivo do fórum é conscientizar e mobilizar a sociedade para a discussão e tomada de posição sobre os problemas decorrentes da mudança do clima por gases de efeito estufa, bem como sobre o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM), definido no Protocolo de Quioto (veja mais detalhes no item vocabulário).


O fórum mantém permante integração com a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima. Criada em 1999, seu intuito é otimizar a adoção das providências necessárias às implementações das deliberações da Convenção do Clima. Em março desse ano o país deu mais um passo no avanço da pesquisa sobre mudança climática com a criação, por parte do Ministério do Meio Ambiente, do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, além de contribuir na difusão do conhecimento acerca do tema, o centro de estudos desempenhará papel decisivo na identificação e análise de projetos que possam ser encaixados no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) da Convenção do Clima.

Vale atentar que, por fatores de natureza econômica, social, política e ambiental, o Brasil é um dos países de maior relevância para a efetiva implementação da Convenção do Clima. Primeiramente, tem exercido liderança política no campo internacional com relação ao tema desde a realização da Conferência da ONU no Rio, em 1992.

Com relação aos aspectos ambientais, o país destaca-se por ter a maior biodiversidade do planeta, matriz energética baseada em geração por hidroelétricas, existência de alternativas energéticas menos poluentes, como o álcool, e enorme potencial para geração de energia renovável. Os aspectos econômicos significativos são: economia em crescimento, grande parque industrial automotivo e atividade agropastoril intensiva.

A grande população e extensão territorial também constituem fatores determinantes para que o Brasil seja um dos principais atores do processo de contenção da emissão de gases de efeito estufa no planeta. Na verdade, em conjunto com outros países em desenvolvimento, como a Índia e a China, o Brasil exerce papel fundamental para o sucesso da implementação da convenção do clima, uma vez que partilham características como grande população, potencial de consumo crescente, grande extensão territorial e se constituem em grandes receptores de investimentos diretos.

ENTENDA O QUE É O EFEITO ESTUFA
texto extraído da publicação "Efeito Estufa - Um problema que envolve todas as nações", da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável - FBDS)


A Terra é coberta por uma tênue camada de gases denominada atmosfera. A maior parte destes gases concentra-se na sua parte mais baixa, conhecida como troposfera, que se constitui numa película protetora de cerca de apenas 10km de altura, recobrindo o globo terrestre, sem a qual os seres vivos não poderiam sobreviver.
A composição química da atmosfera variou através dos tempos até atingir a composição que hoje conhecemos, sendo formada por nitrogênio, oxigênio, gás carbônico, além de pequenas concentrações de outros gases. A atmosfera contém ainda uma quantidade dos fenômenos meteorológicos responsáveis pela estabilidade do clima.
A maior parte dos gases existentes, além de deixar passar a luz que vem do Sol, é também transparente às radiações emitidas pela superfície da Terra e pela própria atmosfera. No entanto, alguns gases, entre os quais destacam-se o gás carbônico, o metano, o óxido nitroso e o vapor d’água, também transparentes à radiação proveniente do Sol, absorvem as radiações de onda longa que são emitidas pela superfície da Terra e pela própria atmosfera, conhecida como radiação infravermelha. Estes gases que absorvem a radiação infravermelha são conhecidos como gases de efeito estufa.
A temperatura média da superfície da Terra, atualmente, é da ordem de 15 graus celsius e, se não existissem os gases de efeito estufa que retêm a radiação infravermelha, seria um planeta muito frio, com uma temperatura média da ordem de 18 graus celsius negativos. Este aquecimento da atmosfera da Terra, causado pelos gases que absorvem a radiação infravermelha, é um efeito intrínseco do planeta e é conhecido como efeito estufa natural.

Os gases de efeito estufa são assim denominados porque o processo funciona exatamente como numa estufa coberta por vidro. O vidro deixa passar a radiação solar e impede a saída da radiação infravermelha emitida pela superfície do solo e pelo ar ali existente.

Entretanto, as intensas atividades humanas desenvolvidas no último século vêm colaborando cada vez mais para o aumento das concentrações desses gases de efeito estufa, provocando, assim, o que podemos chamar de efeito estufa antrópico.

As concentrações de gás carbônico, metano, óxido nitroso e CFCs estão aumentando na atmosfera, fazendo com que a capacidade da camada de absorção dos raios infravermelhos também aumente. Este fato provoca uma elevação da temperatura. Pelas emissões de CO2 distribuídas pelas latitudes, observa-se que a maioria das concentrações ocorrem no Hemisfério Norte, nas latitudes onde se concentram os países desenvolvidos.


Os números do aquecimento global
Fontes: CNN, Christina Aid, World Watch Institute e Revista Água on Line

-Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), patrocinado pela ONU, a tendência rumo a um mundo mais quente já começou. A década de 90 foi a mais quente já registrada em todos os tempos. Além disso, prevê-se que ao final de 2100, a temperatura média na superfície da Terra terá subido entre 1,4 e 5,8 graus centígrados, praticamente o dobro do projetado meia década atrás. Pode até não parecer muito, mas cientificamente esse é um dado muito relevante. Para se ter uma idéia, bastou um salto de menos de 5 graus centígrados cerca de 12 mil anos atrás para que se encerrasse a última Era Glacial. .
- Ainda segundo o IPCC, esse aquecimento, lento mas constante, já teve impacto em nada mais nada menos do que 420 fenômenos físicos e espécies animais e vegetais em todos os continentes do globo.
- O IPCC também prevê para o século XXI um aumento médio do nível do mar entre 9 cm e 88 cm.

- De acordo com um recente relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os prejuízos causados pelos frequentes ciclones tropicais, pela perda de terras devido à elevação do nível do oceano e danos à pesca, agricultura e abastecimento de água podem custar mais de US$ 300 bilhões por ano.

- Catástrofes ambientais nos países pobres podem ficar totalmente fora de controle caso não seja tomada uma ação urgente para resolver o problema do aquecimento global. É previsto que nos próximos 20 anos, até 75% da população mundial, a maioria nos países pobres, pode sofrer os efeitos de secas e enchentes. Os custos destes chamados desastres "naturais", causados pelas mudanças climáticas, podem chegar a US$ 7,8 trilhões.

- No ano passado foi encontrada uma faixa de mais de 1,5km de mar aberto no Pólo Norte. Alguns cientistas acreditam que esta foi a primeira vez em 50 milhões de anos que o Pólo Norte estava coberto de água e não de gelo.

- O maior estudo já feito sobre a camada de ozônio no Ártico aponta para um queda dramática nos níveis do gás sobre o norte da Europa, o que pode expor a região a altos níveis de radiação ultravioleta. Um time de pesquisadores internacionais verificou uma queda acumulada de 60% do ozônio sobre o Ártico, a 18 quilômetros de altitude. Os níveis de ozônio sobre o Ártico são hoje, em média, 15% mais baixos do que os encontrados no ano passado.

- Antes da Revolução Industrial, a concentração do dióxido de carbono era de 275 partes por milhão (ppm). Atualmente ela está em 360 ppms, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis.

- Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a tendência climática constatada em 1999 com temperaturas elevadas se confirmou em 2000: a temperatura média da superfície do globo superou em 0,32 graus celsius a média do período 1961-90, valor semelhante ao registrado em 1999.

- Ainda de acordo com informações do OMM, o ano 2000 deverá ser registrado como o quinto ou sexto mais quente dos últimos 140 anos. Os dez anos de temperaturas mais altas são todos posteriores a 1983. As temperaturas na maior parte do hemisfério norte, fora das regiões tropicais, foram superiores à média em qualquer estação.


Algumas das conseqüências das mudanças climáticas em várias partes do mundo
Fonte: BBC de Londres

Devastação na Amazônia - Brasil
O El Niño é o fenômeno do aquecimento das águas no Oceano Pacífico, mas seus efeitos são globais. Em 1998, o El Niño foi um dos motivos da forte estiagem na floresta amazônica. Como resultado, uma grande série de incêndios florestais destruiu milhares de quilômetros quadrados de florestas, principalmente no Estado de Roraima.
A grande barreira de corais da Austrália
Segundo especialistas, mudanças climáticas já estão afetando os bancos de corais. Um relatório do Greenpeace prevê que a Grande Barreira de Corais da Austrália não vai existir mais daqui a 30 anos se medidas não forem tomadas com urgência em relação ao aquecimento global, à poluição e ao turismo.

Onda de calor nos Estados Unidos
À medida que as temperaturas aumentam, secas e ondas de calor estão se tornando mais comuns. Na metade de 1998, os EUA registraram temperaturas recordes, e mais de 140 pessoas morreram por causa do calor. A agricultura do país também foi fortemente afetada.

Derretimento do gelo da Antártica
Nos últimos 50 anos, as temperaturas na Antártica aumentaram em um ritmo cinco vezes maior do que a média global. A média na região é hoje 2,5 graus celsius mais alta do que na década de 1940. No Círculo Polar Ártico acontece um fenômeno semelhante.

Enchentes na Grã-Bretanha
Especialistas acreditam que tempestades e inundações mais graves estão a caminho. Como as que atingiram a Grã-Bretanha e outros países da Europa em outubro de 2000.

Incêndios florestais na Europa
Incêndios florestais se espalharam pelo sul da Europa e pela região do Mar Mediterrâneo em 2000. Mais de 150 focos de incêndios foram observados apenas na Grécia. De acordo com ambientalistas, na medida em que as temperaturas aumentam, crescem os ricos de incêndios florestais.

Enchentes em Moçambique
A maioria dos especialistas acredita que não existe uma relação entre as mudanças do clima global e as inundações que atingiram Moçambique no começo do ano 2000. Mas o tamanho do estrago feito pelas chuvas reflete o quanto o poder público está despreparado para enfrentar as mudanças climáticas.

VOCABULÁRIO SOBRE MUDANÇA CLIMÁTICA
Fontes: Amazônia on line (www.amazonia.org.br/ef/mudanca_climatica.htm) e FBDS (www.fbds.org.br)

-"Bolhas": refere-se a uma modalidade convencional de mecanismo de flexibilização considerada no Protocolo de Quioto, para países industrializados. Consiste em tratar conjuntamente a redução de emissões geradas por um agrupamento de fontes numa determinada área. Funciona como se uma bolha gigante envolvesse várias fontes de emissão a fim de contê-las numa área comum. Os países integrantes da "bolha" estabelecem um limite de redução que pode ser diferenciado entre cada um. Uma vez constituída a "bolha", os compromissos assumidos deverão ser mantidos por seus componentes.
- "Buraco" na Camada de Ozônio: redução na camada de ozônio existente na estratosfera. Essa camada é essencial para a vida no Planeta, pois filtra parte dos raios ultravioleta solares, mortíferos para as células. Entre 1965 e 1985, cientistas mediram uma redução de até 50% em áreas da camada sobre a Antártida. Um dos principais destruidores do ozônio é o CFC (clorofluorcarbono).
- Certified Emission Reductions (CER): Reduções Certificadas de Emissão de Gases de Efeito Estufa constituídas segundo bases do Clean Development Mechanism (CDM).

- CFC ou Clorofluorcarbono: família de gases inventados pelo homem, não inflamáveis e de baixa toxicidade, usados por décadas como propelentes de aerossóis, para fabricar espumas, limpeza de equipamentos de precisão e em motores de aparelhos de refrigeração. Nos anos 70, descobriu-se que o CFC é o grandes vilão do buraco da Camada de Ozônio. Num processo, cujo principal marco é o Protocolo de Montreal, o uso do CFC vem sendo eliminado e a indústria passou a desenvolver produtos alternativos. Entre estes, estão os HCFC, também prejudiciais à Camada de Ozônio, mas em grau menor.

- Clean Development Mechanism (CDM): ou mecanismo de desenvolvimento limpo, foi definido no Protocolo de Quioto e tem o objetivo de buscar a mitigação de emissões de gases de efeito estufa em países em desenvolvimento, na forma de sumidouros e investimentos em tecnologias mais limpas.

- Comércio de Emissões: também denominada Emission Trade, é um dos três mecanismos de flexibilização incluídos no Protocolo de Quioto, com vistas ao acerto de inventários para comércio internacional de emissões (International Emission Trading).

- Efeitos negativos da mudança do clima: alterações no meio ambiente físico ou biota (conjunto de seres animais e vegetais) resultantes da mudança do clima que tenham efeitos significativos sobre a composição, resiliência ou produtividade de ecossistemas naturais e administrados, sobre o funcionamento de sistemas sócio-econômicos ou sobre a saúde e o bem-estar humano.

- Emissões: liberação de gases de efeito estufa e/ou seus precursores na atmosfera numa área específica e num período determinado.

- Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC): o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima foi estabelecido em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Organização Mundial de Meteorologia (OMM). É encarregado de subsidiar as Partes da Convenção com informações relevantes e trabalhos técnico-científicos e sócio-econômicos relacionados às causas da mudança do clima, aos potenciais impactos e às opções de estratégias responsáveis.

- Inventário Nacional: é o registro periódico e sistemático das emissões e sumidouros de gases causadores de efeito estufa em um determinado país.

- Mudança do clima: mudança que possa ser direta ou indiretamente atribuída à atividade humana que altere a composição da atmosfera mundial e que se some àquela provocada pela variabilidade climática natural observada ao longo de períodos comparáveis.

- Ozônio ou O3: gás que, na troposfera (camada da atmosfera onde vivemos), provoca problemas respiratórios, se inalado diretamente, e contribui para o efeito-estufa. Na estratosfera (12 a 50 km de altitude) atua como protetor da vida: forma uma camada que atua como um filtro que impede a passagem de parte das prejudiciais radiações ultravioletas do sol.

- Precursores de gases de efeito estufa: também contribuintes do aquecimento global, devem ser considerados pelos países no seu inventário de gases de efeito estufa. São eles: compostos orgânicos voláteis, à exceção do metano (NMVOC), óxido de nitrogênio (NOx) e monóxido de carbono (CO).

- Reservatórios: componente do sistema climático no qual ficam armazenados os chamados gases de efeito estufa ou um precursor de um gás de efeito estufa.

- Sistema climático: totalidade da atmosfera, hidrosfera, biosfera e geosfera e suas interações.

- Sumidouro: quaisquer processos, atividades ou mecanismos, incluindo a biomassa e, em especial, florestas e oceanos, que têm a propriedade de remover um gás de efeito estufa, aerossóis ou precursores de gases de efeito estufa da atmosfera. Podem constituir-se também de outros ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos.

- Seqüestro de carbono: captura de C2 da atmosfera pela fotossíntese, também chamado de fixação de carbono.


FONTES:

PODE O HOMEM CONTROLAR O CLIMA?

Matéria publicada no Informativo n° 37 maio/junho de 2000

Texto de Jaqueline B. Ramos (jaquelinebr@bol.com.br)*

Fontes: Ministério do Meio Ambiente, World Watch Institute, Instituto Pró-Sustentabilidade, Rede CTA - Commodities Ambientais


* Jaqueline B. Ramos é jornalista especializada em meio ambiente com pós-graduação em planejamento ambiental. E-mail: jaquelinebr@bol.com.br




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